sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Antigo Restaurante Panorama

Entre as melhores lembranças que tenho é a do antigo restaurante Panorama, que ficava num dos mais movimentados pontos turísticos de Porto Alegre, o Belvedere Deputado Ruy Ramos, ou simplesmente, Mirante do Morro Santa Teresa, hoje abandonado e entregue à marginália.
Foi lá o meu primeiro jantar à luz de velas ao som de um romântico piano. Era muito bem frequentado; tudo era tão fino, elegante, parecia pertencer à outra época. As pessoas pareciam seres de outro mundo naquele ambiente feérico. Lembro que pus um vestido azul, bordado, e trancei os cabelos, pois ninguém ia lá vestindo calça jeans, camiseta e tênis. Era preciso estar impregnado de romantismo para apreciar a esplêndida vista lá fora e os barcos iluminados passeando pelo Guaíba.
Depois que o restaurante fechou, nunca mais encontrei um ambiente igual em magia. Sei que existem outros por aí, mas não é a mesma coisa. Falta o romantismo, o clima, a elegância...
Jantar à luz de velas e um piano. Para muitos pode ser breguice, dinheiro mal investido ou algo deprimente, tendo em vista que os ruidosos botecos estão na moda, mas, para mim, é algo que somente quem sente falta de encantamento poderia entender.




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os enormes cavalos de batalha da Idade Média

Na Idade Média, os cavaleiros costumam montar enormes cavalos de batalha. Fortes, robustos, esses cavalos gigantes suportavam 27 kg em chapas de aço das armaduras de seus donos e também o peso da cota de malha que cobria seus dorsos para protegê-los das lanças do exército rival.
Esses cavalos ainda existem e são da raça Shire.
O cavalo da região do Shire (Inglaterra) foi muito utilizado nas batalhas medievais, distinguindo-se pela sua força e resistência. Ao contrário da maioria dos cavalos de grande altura, o Shire não só suportava o peso do cavaleiro equipado com a armadura, mas também conseguia correr à vontade no terreno. O Shire de fato consegue suportar cinco vezes o seu peso!
Com a Revolução Industrial, o Shire começou a entrar em desuso, tanto no transporte de pessoas e mercadorias, como nos trabalhos agrícolas. Esta combinação de fatores lançou o Shire numa luta pela sobrevivência. Hoje em dia, existem cerca de 5 mil exemplares em estado selvagem. Apesar de lenta, a recuperação da raça começa agora a dar frutos.
Na foto vemos Luscombe Nodram, apelido Noddy, tem 2,05 metros de altura, pesa uma tonelada e meia e tem 7 anos. Está com a sua proprietária, Jane Greenman, na Austrália.



Mais um cavalo da raça Shire.
Este é Duke, com apenas cinco anos de idade e que já tem, do casco ao dorso, mais de dois metros de altura. Ele ainda está crescendo e pesa uma tonelada. Segundo a matéria do Daily Mail, este é um recorde mundial. Duke foi resgatado quando seu antigo dono morreu. Levado para um abrigo para animais, ele rapidamente se tornou uma atração no Horse Refuge in Tenterden, Kent, onde seus novos donos tiveram que construir um estábulo gigante adaptado pra ele.
Da ponta do nariz até a cauda ele tem mais de 3 metros.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Medo de se Apaixonar

Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. 
Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Medo de não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve.
Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que havia desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que a criou para aquecer suas mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar.
Você tem medo de se apaixonar e não prever o que poderá sumir, o que poderá desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer — talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue.
Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio; afinal, você e o tédio, enfim, se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira reparti-lo com mais ninguém, nem com o passado dele. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que as suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar, mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele acorde ao escutar a sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. 
Medo de ser destruída, aniquilada, devastada, e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender a atenção dele. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la.
Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. 
Medo de faltar às aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. 
Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.
Você tem medo porque já está apaixonada.

(Crônica do livro "Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus" -Bertrand Brasil, 256 páginas -, seleta dos melhores textos do escritor Fabrício Carpinejar sobre sexo e amor).


sábado, 4 de agosto de 2012

Por que a mídia sempre é a culpada?

Há quem julgue a mídia a verdadeira culpada por tudo o que está ocorrendo de ruim neste país. Há quem diga, até, que a mídia brasileira, num golpe baixo, está fazendo de tudo para desestabilizar o projeto de governo do PT e que o chamado “mensalão" foi invenção dos meios de comunicação para "preparar a candidatura do PSDB, seja ela com o nome de Serra ou de Aécio, para as eleições de 2014".
Bem, é preciso um bode-expiatório, não? É preciso achar um culpado para toda essa sujeirada que está aparecendo por baixo dos panos e que, se não fosse o jornalismo investigativo, jamais teríamos conhecimento.
Dá-se o nome de Jornalismo Investigativo (ou de Investigação) à prática de reportagem especializada em desvendar mistérios e fatos ocultos do conhecimento público, especialmente crimes e casos de corrupção, que podem eventualmente virar notícia.
O "mensalão" não foi criação da mídia e nem da Revista Veja. O "mensalão" talvez tenha sempre existido, mesmo em outros governos, mas graças à evolução tecnológica dos meios de comunicação, ficou mais fácil aos jornalistas o acesso a fatos obscuros. Culpem à tecnologia então, destruam-na, façam com que voltemos aos velhos sinais de fumaça, ao telégrafo, aos pombos-correios, mas jamais culpem os jornalistas.
Parabéns aos jornalistas investigativos que têm feito um bom trabalho e auxiliado muito o Ministério Público. Quem encontra na mídia a raiz de todos os problemas que envolvem corrupção são aqueles que temem o que será publicado. Quem não deve, não teme.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012


O amor, enquanto afeição humana, é o amor que deseja o bem, possui uma disposição amigável, promove a felicidade dos demais e alegra-se com ela. Mas é patente que aqueles que possuem uma inclinação meramente sexual não amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados à verdadeira afeição e não se preocupam com a sua felicidade, mas podem até mesmo levá-la à maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua própria inclinação e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um objeto do apetite; tão logo foi possuída e o apetite saciado, ela é descartada “tal como um limão sugado”.
( Emmanuel Kant)