segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mestre Cartola, o Doce.

Tem um ditado que diz assim: “Feche a boca em um segundo e tenha seus quadris para o resto da vida”.

Mas como uma pessoa consegue se preocupar com os quadris quando se depara com o Mestre Cartola à sua frente?

E nem se trata de um prato, mas de uma sobremesa que é servida no Boteco Dona Neusa. Aliás, sou viciada nas comidinhas de botecos, a maioria nordestina.

Detesto doces, mas aquele é irrecusável. Trata-se de bananas fritas, carameladas, sob uma camada enorme de queijo polvilhado com canela, e com duas bolas de sorvete de creme em ambos os lados. Pra quem gosta de banana e queijo, é um prato cheio!

Tento resistir a ele, mas não consigo. Danem-se os quadris! O dia em que não puder mais comer o Cartola, desistirei de comer qualquer outra coisa.







sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que leva uma pessoa aparentemente normal a matar?


O que leva uma pessoa aparentemente normal a matar? Os noticiários estão repletos de notícias sobre pessoas que sempre tiveram bom comportamento perante a sociedade e que, no entanto, num momento de desequilíbrio mental, agiram como loucas, matando por ciúmes, dinheiro, separação, rejeição etc. Já não bastava o alto índice de psicopatas que matam para usurpar bens alheios, ainda temos de nos cuidar com pessoas que podem fazer parte da nossa convivência diária.

Uma pessoa próxima revelou-me que sofreu perseguição de uma amiga, a qual não suportava que ela fosse mais bonita, mais magra e atraente. Aparentemente, sua amiga se comportava de maneira dócil e amigável quando estavam juntas, mas, na privacidade de seu quarto, arquitetava um plano para matá-la, plano esse descoberto quando a mãe da “psicopata”, desconfiada pelas atitudes um tanto estranhas da filha, resolveu investigar o computador dela. E estava tudo ali, passo a passo, um plano de como ela iria matar a amiga. É claro que a dita cuja foi internada imediatamente.

Li o livro Os Olhos de Laura, do psicanalista e psiquiatra J. D. Nasio, no afã de entender a sistemática de um fenômeno psicótico. No livro, o autor diz que todos somos loucos em algum recanto de nossas vidas, que ninguém está livre, mesmo sendo sadio, de agir cegamente quando rompe, de uma maneira ou de outra, com a realidade. E essa loucura pode ser apenas passageira, limitada a um único aspecto da vida de um sujeito normal.

Num doente psicótico, essa ruptura com a realidade é perceptível através de comportamentos bizarros e perigosos. Já num sujeito normal, pode se manifestar por excessos ocasionais, em atitudes incoerentes quando se vê atingido por situações de perda ou de rejeição (dinheiro, cônjuge, filhos, doença, trabalho etc.).

Neste caso, há sempre a justificativa que o outro foi o responsável pelo sofrimento dele. Isto é notado através do que geralmente costuma ocorrer: o louco ocasional raramente tira a própria vida. Ele tenta eliminar a quem julga ser o responsável pelo seu sofrimento. Conforme Nasio: “A mente cega curva a realidade à sua ideia (microdelírio circunscrito e ocasional), ao invés de submeter sua ideia à realidade”.

E por que isso acontece? Por que uma pessoa normal pode ter esses efêmeros microdelírios?

Já que podemos ser loucos a qualquer momento, é importante saber o que pensa o psicanalista. Ele afirma que, ainda que equilibrada, uma pessoa pode ter escondida, em algum lugar de seu inconsciente, uma fantasia ou trauma que pode explodir num acesso de loucura quando confrontada com a realidade.

Num trecho do livro ele relata que, ao término de uma consulta, ele encontrou, à saída de seu consultório, a paciente que recém havia atendido. Ela estava aos prantos. Numa primeira impressão, ele pensou: “Vi alguém chorar”; todavia, corrigiu-se a tempo: “Não vi alguém chorar, vi olhos chorarem”. Ele quis dizer que foi impossível, naquele momento, perceber a emoção em estado puro daquela pessoa, a qual somente seria possível quando essa emoção fosse destacada de quem a estava vivendo, perscrutando os recônditos de sua mente.

Eu gostei da analogia do Nasio entre um ser humano e o doce chamado mil-folhas, doce feito de várias camadas, a qual ele vem expondo desde 1979. Todos nós somos uma pluralidade de pessoas psíquicas, onde vários estados subjetivos, sadios e doentes, coexistem. Não é à toa que, às vezes, dormimos com pessoas felizes e sorridentes e, no dia seguinte, acordamos com criaturas azedas e intratáveis.

Acreditamos ser “um”, quando, conforme Nasio, somos “vários”. E entre os “vários” que nos compõe, um está sob o domínio de uma fantasia venenosa.
Eis um excerto do livro:

Sou uma pluralidade de pessoas psíquicas, geralmente normais, por vezes patológicas, empilhadas e ligadas entre si por um fio invisível que consolida minha unidade”.

É claro que a maioria consegue coexistir em paz com todas as suas “camadas”, mas uma minoria fica alienada a uma fantasia tóxica e não consegue dominá-la quando algum mecanismo (somente a neurobiologia e a psiquiatria podem explicar) a faz vir à tona e leva o sujeito a um acesso de loucura.

A hipótese psicanalítica de Nasio é que a desestruturação psíquica leva vários anos para se manifestar. Pode surgir na adolescência ou na idade adulta, mas a sua incubação leva vários anos. Então, uma neurose surgida tardiamente seria uma defesa ruim em relação ao mal que ela quer afastar.

A psicose é a consequência de um trauma infantil do qual o EU não cuidou direito” – diz ele; ou seja, “uma psicose não é o trauma em si, é a reação RUIM do EU contra o trauma”. E o remédio ruim pode ser pior que o mal que ele combate. Para Nasio, o remédio ruim, a defesa ruim, chama-se RECALCAMENTO.

Em sujeitos com pleno domínio de suas faculdades mentais, uma situação penosa é admitida, mas o que se busca é o esquecimento, dar a volta por cima. O esquecimento é uma forma de amortecer algum golpe que tenhamos levado na vida, seja em qualquer âmbito. É uma defesa boa. Para aqueles que não têm esse discernimento, o recalcamento possui outro nome: foraclusão.

No livro de Nasio é explicado que quem foraclui não sente a dor que causa aos outros, é como se as suas emoções ficassem anestesiadas e ele não tivesse consciência da violência que pode gerar. É a neurose em seu mais alto grau, a que torna um sujeito psicótico de fato.

No caso da história que me foi contada, a mulher que se sentia recalcada em relação à outra – há pouco tempo ocorreu o caso de um empresário que matou o namorado da sua ex-mulher, por não ter aceitado a separação, e que tramou a morte do rival durante um ano - ela teve uma defesa ruim para seus traumas.  Só Deus e o psiquiatra que está cuidado dela podem saber que tipo de trauma infantil levou-a a “foracluir”. Era uma mulher normal até que uma amiga tornou-se capaz de ser mais atraente que ela e ter mais sucesso em relação ao sexo oposto. No caso do empresário, era um homem normal até que a mulher o deixou depois de 25 anos de casamento.

Não acredito que pessoas assim devam ir para cadeia de imediato. Cadeia é lugar de bandido, de criminosos sem chances de recuperação, psicóticos que matam por prazer, predadores que se excitam com o cheiro do sangue. Para estes a prisão deve ser perpétua, pois todas as suas “camadas” são doentes e irrecuperáveis.

Para aqueles que agem como loucos em algum momento de suas vidas, mas que conseguem preservar regiões saudáveis em seu psiquismo, primeiro deve ser dado tratamento psiquiátrico, atendimento psicológico, para que, quando tiverem de pagar pelo crime cometido (sim, acho que devem ser punidos), possam ter consciência do mal que geraram e, assim, entenderem por que estão pagando e pelo quê. Só pode se regenerar aquele que tem consciência do mal que pode causar aos outros devido ao seu recalque. Afinal, uma defesa considerada sempre boa para a superação de traumas é saber perder.

Lembro-me de tantas pessoas que sofreram perdas e sofrimentos atrozes e que, mesmo assim, se tornaram grandes exemplos de superação e lição de vida. São pessoas que tiveram reações boas para se defenderem de seus traumas. Luiz Fernando Oderich, da ONG Brasil sem Grades, diria que famílias estruturadas, cujos pais zelam para que seus filhos tenham tanto saúde física quanto mental, geram “mil-folhas” perfeitos. Eu concordo plenamente. Mas há aqueles que nem família possuiu e sempre mantiveram controle sobre suas emoções. A estes eu chamo de “confeiteiros de si mesmos”. Com amor e boa vontade, qualquer prato torna-se um néctar dos deuses, mesmo que o cozinheiro não seja grande coisa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os Limites do Meu Conhecimento São os Limites do Meu Mundo

Para o filósofo Wittgenstein*, a linguagem do homem está relacionada ao seu pensamento. Para ele, a linguagem e o pensamento trabalham sob a mesma égide, de modo que aquilo que é limite para um, também será para o outro; ou seja, os limites da linguagem são, portanto, os limites do pensamento.

Pois é isso o que me preocupa em relação a este livro que o MEC deseja que as escolas adotem. Justifica-o alegando que as pessoas podem falar como quiserem, desde que saibam escrever as palavras corretamente. E como ficará o raciocínio dessas pessoas, caso seus pensamentos sejam limitados pela sua linguagem vulgar? Se cada pessoa nominar ou conceber algo de acordo com o seu pensamento, logo a interação com outras pessoas se tornará insustentável. Cada pessoa será possuidora de uma linguagem privada, oriunda da maneira como ela organizou sua estrutura de pensamento. Em breve, estará se comunicando através de códigos que somente ela pode decifrar.

Creio que este livro a ser adotado nas escolas, e que ensina que falar errado é certo, é apenas um prenúncio do que ainda está por vir. Quando todos os alunos perderem o interesse pela língua portuguesa, uma vez que lhes será dado o direito de falar errado – ou conforme o desordenamento dos seus pensamentos – o segundo passo será mudar a grade curricular das escolas, que passaria a ter as seguintes matérias, conforme e-mail que recebi hoje:

Educação Física

Futebol e as vantagens de vencer na vida através dele. O grande exemplo seria o Ronaldinho Gaúcho, que ganha R$ 1.400.000,00 por mês só para jogar futebol e ainda foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras.

Música

Sertaneja, Pagode, Axé, Funk.

História

Grandes Personagens da Corrupção Brasileira;
Biografia dos Heróis do Big Brother;
História da Arte: De Carla Perez à Faustão;
Evolução do Pensamento das Celebridades: Como Xuxa aprender a falar “carioquês”, mesmo tendo nascido no Sul.

Matemática

Multiplicação Fraudulenta do Dinheiro de Campanha
Cálculo Percentual de Comissão e Propinas

Português

Fale Errado Porque É certo. Se alguém Reclamar, Processo Nele!
O grande exemplo seria o Tiririca: R$ 36.000,00 por mês, fora os auxílios e mordomias. Mesmo analfabeto é membro da Comissão de Educação e Cultura do Congresso.

Literatura

Livros traduzidos para a linguagem do “K” e do “X”.

Trecho traduzido do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis:

Enfim, xegou a hora da enkomendação e da partida. Sanxa kis despedir-se do marido, e o desespero dakele lance consternou a todos. Muitos homens xoravam também. ...A konfuzão era geral. No meio dela, Kapitu olhou alguns instantes para o kadaver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, ke não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...”

Biologia, Física e Química

Excluídas por excesso de complexidade. Os pobres não precisariam estudar essas matérias. Ricos, caso queiram, deverão pagar professores particulares.

Enquanto isso...

Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00.
Os professores ganham pouco porque só servem para nos ensinar coisas inúteis, como: ler, escrever e pensar.


(*) Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (26/04/1889 a 29/04/1951), filósofo austríaco, naturalizado britânico, foi um dos principais atores da virada linguística na filosofia do século XX. Suas principais contribuições foram feitas nos campos da lógica, filosofia da linguagem, filosofia da matemática e filosofia da mente.

Filosofia de Wittgenstein:

O uso imperfeito da linguagem corrente leva a frequentes confusões. Há de se estabelecer certos limites para o uso da linguagem”.

Os limites da minha linguagem (da linguagem que apenas eu compreendo) significam os limites do mundo”.

O homem possui a capacidade de construir linguagens com as quais se pode expandir todo sentido, sem fazer ideia de como e do que cada palavra significa – como também falamos sem saber como se produzem os sons particulares”.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Livros Pra Inguinorantes – Por Carlos Eduardo Novaes*

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloísa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropessar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Português!

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguajem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramática eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei – como se diz? – magna.

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.




(*) Carlos Eduardo Novaes é advogado, cronista, romancista, contista e dramaturgo. Com um estilo provocativo e mordaz, se firmou como um de nossos mais aclamados escritores. Suas crônicas trazem o colorido marcante de seu humor inteligente e crítico, muitas vezes de uma sutileza molestante.

domingo, 22 de maio de 2011

É preciso falar errado para ser aceito?

Numa época em que só se fala em preconceito – quando existem tantas coisas mais preocupantes para me tirar o sono, como a criminalidade e o tráfico de armas e drogas, por exemplo - chegou-se ao absurdo de atacarem a nossa gramática. Agora querem combater o “preconceito linguístico”, como se aqueles que se esmeram em falar corretamente a língua vernácula ofendessem àqueles que não possuem a mesma acuidade linguística, seja por falta de cultura, inépcia, preguiça ou falta de interesse.

O livro Por Uma Vida Melhor, adotado pelo MEC, promete corrigir esse preconceito, pois, conforme a autora Heloísa Ramos: “o importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pelo uso adequado e inadequado da língua, dependendo da situação comunicativa”.

A autora pretende, com esse livro, dar a entender que algumas pessoas não são valorizadas dentro de determinados grupos sociais porque se utilizam de uma linguagem “popular”, e que se sentem diminuídas, não aceitas. Por isso o termo “preconceito linguístico”.
Segundo o MEC, deve-se dar total liberdade para um aluno poder se expressar da forma que lhe for mais conveniente, mesmo que seja inadequada. Enfim, o livro ensina que falar errado é certo, dependendo do meio no qual o aluno estiver inserido.


Perdoem essa autora, pois ela não sabe o que diz. Deve ter sofrido influência petista, a mesma que colocou o Tiririca na Comissão de Educação e Cultura da Câmara.  

Diferenças físicas e qualitativas entre as pessoas sempre existiram e sempre existirão. E cada pessoa reage de maneira favorável ou desfavorável diante dessas diferenças. Na maioria das vezes, trata-se apenas de uma questão de atitude e não de preconceito. Ter atitude é racionalizar, sentir e externar tendências comportamentais. Uma pessoa, mesmo reagindo de maneira desfavorável diante de um linguajar inaceitável para ela, não pode ser julgada de preconceituosa. Aliás, é preciso limitar o alcance da palavra preconceito, tão preferida pelos nossos atuais governantes – e tão utilizada na busca insana e oportunista por mais votos. Nem sempre uma atitude intolerante pode ser considerada um ato discriminatório. É apenas uma tendência.

Sou a favor da liberdade de expressão, seja em qualquer tipo de linguagem.
Linguagem não é apenas um idioma ou uma língua, mas uma forma de conhecer e ser conhecido, de evoluir, de aproximar, de se ter mais qualidade nos relacionamentos; enfim, de comunicar ao mundo valores, ideias e sentimentos. Só acho que ninguém precisa diminuir-se ou regredir em termos de linguagem para poder se ajustar a quem não tem as mesmas preocupações que citei acima. Não é preciso saber todo o léxico, mas é imprescindível falar ou escrever corretamente o conjunto de palavras que se tem à disposição, mesmo que seja limitado. Erros ortográficos sempre farão rodar em vestibular e provas de capacitação, bem como causam má impressão em entrevistas de emprego.

Além disso, caso seja dado o direito a um aluno de se manifestar de forma contrária aos bons ensinamentos, certamente que abrirá margem para que ele ingresse com liminar, caso rode em redação no vestibular, sob a justificativa que sofreu “preconceito linguístico”. E certamente que abrirá outra margem: a de que o Governo destine vagas especiais para os “discriminados em língua portuguesa”, em detrimento dos que se matam a estudar semântica, morfologia e sintaxe.




Se a autora e o MEC querem chamar a atenção de alguma maneira, que seja para o fato dos nossos jovens não serem mais estimulados a ler, a pesquisar, a usar um dicionário. A linguagem é o que diferencia o ser humano dos animais; é o que constrói seu senso de mundo, seu meio, suas experiências. E quanto maior for o vocabulário de uma pessoa, maior será o seu pensamento, o seu raciocínio e, consequentemente, o seu mundo, conforme a filosofia de Wittgenstein.

Por fim, se conjugações e concordâncias não são mais necessárias para uma boa comunicação, que fim terá os professores? E os amantes da “Ùltima flor do Lácio”? Serão eles agora os injustiçados, os discriminados, só porque procuram expressar-se corretamente? Será preciso  emburrecer para poder ser aceito por uma cultura que cada vez mais vicia e apoia pessoas a um linguajar que beira a grunhidos de homens das cavernas?

Por mais que despautérios tipo “Aí nós pega os peixe e os fritemo” me façam franzir o cenho, estou consciente que a maneira como uma pessoa se expressa nem sempre é uma questão de escolha, mas também de aptidão e de habilidade cognitiva. Na falta destas, em vez de livros que a façam permanecer na ignorância, mais útil seria ela ser estimulada à cultura, ao estudo, a seguir o exemplo de quem conseguiu superar dificuldades através do próprio mérito.  O preconceito tornar-se-ia irrelevante se fosse dado mais ênfase à palavra MERECIMENTO.




É, pensando bem....